terça-feira, 5 de janeiro de 2016

DONA ROSA, E SEU ÚLTIMO PRESENTE PARA O REI.

O Rei, para quem por acaso ainda não saiba, tem nome....
Mosquito.
Meu gato diabético.
É o Rei, porque ele é quem mais ou menos determina minhas idas e vindas, (ou não...)
e meus horários.
É insulinodependente há quatro anos e dois meses.
Recebe suas doses de insulina pela manhã e no final da tarde, diariamente.
Sendo assim, tenho que estar com ele todos os dias nesses horários.
Além disso, ele come ração especial, e não no pratinho como todos os seus sete irmãos.
Gosta de comer em cima da cama, no lençol. Quando tem fome, bate a patinha real 
no pacote caro e metálico, para que seja então servido.
É gigante, amoroso e bonzinho....quando vê a seringa com a tampa laranjinha, sabe que é
hora do "pic".
Se estiver acordado vem até mim e deita para receber o "pic" que o 
mantém vivo.
Se estiver dormindo, recebe a medicação dormindo mesmo, como se nada tivesse acontecido.
Por tudo isso é o Rei.
É também, Rei do meu coração, meu grande amor, meu grande amigo.
Um vencedor, como disse seu vet, um sobrevivente, um valente.
=^.^=


Dona Rosa, uma senhorinha adorável, minha vizinha e também diabética.
Sua casa linda, a casa mais bonita da rua na minha opinião, sempre aberta,
sempre alegre, sempre com uma decoração diferente para as diferentes ocasiões festivas do ano!!!
Tivemos a felicidade de participar da festa junina que ela organizou,
(única data comemorativa que eu gosto na vida), e tudo foi tão divertido!!!!
Tudo tão colorido, tudo tão alegre, muitos vizinhos, todas as comidinhas e bebidas da época, 
carinho, felicidade, tudo encantador, como ela!!!!

Tantas vezes conversamos sobre as coisas que temos em comum: amor pelos bichos,
pela natureza, pelas cores, pelo artesanato.
Nunca vi Dona Rosa, e fiquei sem um sorriso.
Nunca estive com ela, e deixei de observar como era sempre gentil e alegre!!!!
Dona Rosa era uma dessas pessoas delícia, iluminada sabe???
Animada, divertida, via sempre o lado melhor de todos e de tudo, 
 gente que gosta da vida, e de viver!!!
Cuidava com capricho da hortinha do lado de fora da casa tão linda!!!
Amava os netos, os filhos, as noras, se dava bem com todo mundo!!!

Desde que soube que o Mosquito era diabético como ela, sempre que podia, 
mandava de presente para ele (e para nós) as seringas excedentes, tão absurdamente caras
 e que nos são tão preciosas, para aplicação da insulina.

Nunca, reutilizei uma seringa no seu tratamento.
Talvez isso tenha sido um dos fatores que o ajudam a viver 
tão bem, e por tanto tempo, apesar das estatísticas não muito animadoras
quanto à expectativa de vida de felinos diabéticos....

Eu trabalho em casa, (acho que todo mundo também já sabe), e sempre estou ocupada, então
quase não saio.

Soube que Dona Rosa não estava bem....teve complicações
circulatórias, estava sofrendo muito, com muita dor.
Fiquei com o coração tão apertadinho sabe???
Pensei em visitá-la....mas não sei se seria adequado....tão desagradável
estar acamado e sentindo dor, e ainda ter que receber visitas, ficar sorrindo, conversando....
Eu acho, pelo menos.
Preferi não incomodar.
Então fiquei torcendo todos os dias para que se recuperasse,
mandando todo o meu carinho e boas energias aqui de casa....

Há tempos não a via.....e não tive coragem de procurar saber como estava.
Preferi acreditar que estava se recuperando.

Ontem, quando voltou de viagem, o Ed me disse que tinha 
notícias tristes:
 -"Trouxe para o Mosquito".
 e me estendeu uma sacola enorme, cheia de pacotes
das preciosas seringas que ele usa....muitas mesmo!!!!
E dois vidros de insulina.

Soube na hora, que ela tinha partido.
Seu maridinho tão adorável quanto ela guardou para nós,
e ao ver o Ed passando, entregou seu último presente para o Rei.

Dona Rosa partiu dia 20 de dezembro.

Fiquei tão imensamente triste, quanto grata.
Por tudo.
Por tê-la conhecido, por ter partilhado ainda que pouquinho
da sua vida, das suas histórias, do seu entusiasmo, da sua
generosidade perante todas as criaturas, da sua alegria
e do seu encanto diante da vida.

Algumas perdas são tão difíceis de compreender...
Pessoas que amam a vida e espalham alegria por onde passam deviam ser eternas.

É o caso da Dona Rosa.

Não sei para quantos meses teremos seringas....não tive coragem, nem vontade de contar.
Guardei-as com carinho, acredito que o mesmo carinho com que
nos foram reservadas e entregues.

Tantas vezes no início, ela me confortou, por causa do medo de perder para o diabetes
meu grande amigo e amor.
Tantas vezes ela me disse que ele viveria o tempo que estivesse destinado a ele.
E que partir, faz parte da vida.....
E que eu precisava me conformar que um dia, isso aconteceria....
E que a vida continua, apesar de tudo.

Ela se foi primeiro.
Espero que receba onde tiver levado sua alegria, todo o nosso carinho e gratidão.
E apesar da imensa tristeza, vou lembrar dos seus sorrisos
e das suas palavras sempre:

A vida continua.

Obrigada.


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