quinta-feira, 16 de julho de 2009

TOM VOLTOU PRO CÉU.



Não houve tempo, nem era ocasião para fotos. Guardei o Tom assim, lindo e saudável, no biscuit e no meu coração.





Todo mundo ganha um nome quando nasce.Tom ganhou um quando morreu.
Nasceu pretinho, vira-latas, como tantos, desses que vivem na rua e abanam o rabinho quando as pessoas passam.
Não o vi crescer, não sei nada, a não ser o nome, Tom.
Viveu o que tinha prá viver, envelheceu, brigou conforme denunciavam as cicatrizes pelo corpinho velho, quatorze anos mais ou menos....deve ter tido muitas namoradas, quem sabe quantos filhos, igualmente vira-latas, que devem ter vivido e morrido na rua...
Tom não morreu na rua.
Não sei se foi amado enquanto esteve por aqui, mas recebeu todo o meu amor no dia em que morreu, foi profunda e infinitamente amado, recebeu todo o carinho que pude dar a alguém, carinho que quis que suprisse a necessidade de carinho de toda uma vida....
Já não tinha quase dentinhos, embora parecesse ainda um filhote, privilégio dos bichinhos...
Foi doce, valente e educado, como só os bichinhos sabem ser...
Quisera eu que jamais tivéssemos nos encontrado, não nesse momento, não desse jeito.
Quisera eu nunca tê-lo amado como amei, quisera eu jamais tê-lo acariciado como fiz....
Tudo o que eu queria é que ele tivesse continuado sua vidinha vira-latas sem jamais termos nos encontrado...porque se assim tivesse sido, ele não teria passado pelo que passou, não teria sofrido maus tratos, não teria tido a pata esmigalhada, não teria ficado tanto tempo sentindo a dor que sentiu, não teria tido a carne comida ainda vivo, não teria sido consumido em silêncio por uma dor inimaginável....
Tom passou por mim anônimo....resgatei-o com a ajuda de um desconhecido-amigo, ainda anônimo....
Se deixou levar com a dignidade que só os anjos tem, sem gritos, mansamente, e se deixou examinar com a mesma dignidade com que morreu....o encontrei tarde demais. O amei pouco demais.
Aquele vira-latinhas pequeno e corajoso morreu diante dos olhinhos curiosos de um yorkshire pequenino, desses que usam lacinhos nos cabelinhos. Não soube seu nome...mas certamente recebeu nome quando nasceu.
Por que tanto prá uns, tão pouco aos outros.....todos anjos igualmente.
Uns andam no colo...outros nem nome tem.
Achei que Tom tinha cara de Tom. Não sei se apreciaria o nome que lhe dei.
Não tive tempo de chamar por ele e vê-lo vir até mim abanando o rabinho, nunca jogamos bolinha, não pôde fazer festinha...nem sei se teve casa algum dia.
Todo mundo ganha um nome quando nasce. Tom ganhou seu nome depois de voltar pro seu lugar, pro céu.
Ficou registrado na ficha do veterinário....no dia em que morreu.
Tom voltou pro céu.

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